Departamento do Tesouro dos EUA alerta para a possibilidade de sanções secundárias, o que complica as importações de energia da China
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos alertou instituições financeiras de que está preparado para aplicar sanções secundárias contra partes que facilitem a compra de petróleo iraniano por refinarias chinesas, além de instruir bancos a adotarem controles rigorosos sobre transações com processadores independentes. Paralelamente, autoridades americanas impuseram restrições a 35 entidades ligadas ao chamado “shadow banking”, o sistema bancário paralelo do Irã.
Grandes bancos estatais chineses vêm evitando negociar petróleo sob sanções para preservar o acesso ao sistema de compensação em dólares. Ainda assim, a China permanece entre os principais importadores desse tipo de petróleo, já que refinarias independentes assumiram esse papel, aceitando descontos elevados para compensar margens reduzidas. A logística dessas operações depende cada vez mais de uma “frota fantasma”: petroleiros que desligam seus transponders, realizam transferências em alto-mar e disfarçam o petróleo iraniano como exportações provenientes da Malásia para escapar da fiscalização internacional.
O endurecimento da pressão financeira ocorre às vésperas de uma cúpula prevista para maio entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping. O Ministério das Relações Exteriores da China instou Washington a evitar a aplicação extraterritorial de sanções e afirmou que protegerá suas empresas nacionais. Observadores avaliam que medidas mais duras dos EUA podem levar importadores chineses a tornar seus mecanismos de pagamento mais complexos ou até a reduzir temporariamente as compras enquanto as negociações bilaterais estiverem em andamento.