Tesouro dos EUA prevê queda nos preços do petróleo após o fim do conflito
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou esperar uma queda significativa nos preços do petróleo até o fim de 2026, argumentando que a alta atual reflete um choque temporário provocado pela escalada militar no Oriente Médio.
“Os preços do petróleo, do outro lado desse conflito, serão muito mais baixos”, disse Bessent em entrevista à Fox Business, classificando a recente disparada como transitória e diretamente ligada às tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Os dados de mercado, no entanto, apontam para um cenário diferente no curto prazo. O preço médio nacional da gasolina nos EUA atingiu o maior nível em quatro anos, segundo a American Automobile Association, chegando a US$ 4,18 por galão, com um aumento recorde de sete centavos em apenas um dia. Desde o início da fase mais intensa do conflito, no fim de fevereiro, a gasolina já subiu mais de 40%, um avanço de US$ 1,19 por galão.
Um dos principais fatores por trás dessa pressão é o bloqueio efetivo do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito. As interrupções no trânsito pela região têm se traduzido rapidamente em alta nos preços internacionais de energia.
Esse ambiente de preços elevados já começa a reativar a atividade de exploração nos EUA. A Baker Hughes informou que o número de plataformas ativas no país aumentou pela segunda semana consecutiva — a primeira sequência de alta desde meados de março — indicando que produtores de shale buscam aproveitar o aperto na oferta global.
Analistas alertam que, embora as projeções do Tesouro dependam de uma rápida resolução dos riscos geopolíticos, os custos elevados dos combustíveis devem persistir até que a oferta física seja normalizada. Segundo eles, declarações oficiais dificilmente serão suficientes para aliviar a pressão inflacionária enfrentada pelos consumidores enquanto os gargalos logísticos permanecerem.