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Dólar enfraquece em meio à deterioração da confiança na política dos EUA

Dólar enfraquece em meio à deterioração da confiança na política dos EUA

O dólar americano recuou para o nível mais baixo desde 2022, à medida que aumentam as dúvidas dos investidores sobre a sustentabilidade da política econômica dos Estados Unidos. Durante o segundo mandato de Donald Trump, o índice Bloomberg Dollar acumula queda de quase 12%, refletindo uma saída significativa de capital dos ativos americanos.

Nos mercados, ganha força a chamada estratégia de devaluation trading, na qual investidores reduzem a exposição ao dólar e a instrumentos atrelados à moeda. O principal fator de pressão é a imprevisibilidade das decisões da Casa Branca — que inclui ameaças recorrentes de novas tarifas, pressões sobre o Federal Reserve para cortes de juros e iniciativas abruptas de política externa que afetam a relação dos EUA com aliados.

Apesar do discurso oficial em defesa de um dólar forte, o mercado passou a interpretar que uma moeda mais fraca é, na prática, tolerada pela administração como instrumento para impulsionar as exportações. O próprio presidente já afirmou que o nível atual do câmbio é “excelente”, reforçando essa percepção entre os investidores.

Nesse contexto, o capital global vem sendo redirecionado para ativos alternativos. Os mercados emergentes registram o melhor início de ano desde 2012, enquanto o volume de operações de proteção contra novas quedas do dólar atingiu níveis recordes, sinalizando uma postura cada vez mais defensiva.

“A era da acumulação automática de dólares acabou”, afirmou Pramol Dhawan, da PIMCO, ao descrever o momento atual como uma mudança estrutural no regime de investimentos.

A trajetória de queda do dólar foi temporariamente interrompida na sexta-feira, após notícias sobre a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Fed. Embora suas declarações recentes estejam alinhadas à Casa Branca, o mercado o enxerga como um nome mais conservador, menos inclinado a cortes agressivos de juros do que outros possíveis candidatos.

Analistas alertam que a perda de confiança de investidores estrangeiros representa um risco relevante para o mercado de dívida dos EUA. Com um déficit fiscal em torno de US$ 1,8 trilhão e uma dívida pública próxima de US$ 39 trilhões, o país depende fortemente da demanda por títulos do Tesouro. A continuidade da saída de capital externo pode forçar uma alta nos rendimentos, pressionando o crescimento econômico nos próximos trimestres.

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